Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Mulata

Dança Nkissi
espalha encanto nos terreiros
Nguzu corre veias mortas,
Servos dos deuses descabelados
e de negros faceiros
Segue o sopro, incendeia
Magia ! povo arteiro


É dia de festa. 

 

Ah, se aquele sorriso fosse pra mim, negrinha, desatinava em tua pele minha brasa.Manchava tuas coxas com minha língua, e te comia, negrinha, te comia.

 

 

descrataquizado por oddie às 19:25
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Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Cajuína

Caetano Veloso

 

 

Existirmos: a que será que se destina?


Pois quando tu me deste a rosa pequenina


Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
 

Do menino infeliz não se nos ilumina


Tampouco turva-se a lágrima nordestina


Apenas a matéria vida era tão fina


E éramos olharmo-nos intacta retina

 

A cajuína cristalina em Teresina

 

 


sinto-me:
música: Meu Pintinho Amarelinho - Augusto Liberato
descrataquizado por oddie às 21:39
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Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Sutra de Mbaraka-Mirim

Sou tudo aquilo que escorre pelo umbigo para dizer que talvez você esteja pensando lesmas.
Ideal mesmo é viver-sonhar alegrias, ou, ao menos, não morrer antes de ter atendido
o eterno chamado dos sapos.

 

Não existe modo melhor de usar o espaço ?

 

São índios, lesmas e sapos.

Índio universo, lesmas universo, sapos universo, e pontos, muitos pontos, pontos finais, pontos de i, j, pontos de táxi, pontos de luz, ôninus, drogas, trocas, pontos servem para demarcar e mostrar que tudo tem um fim, eu abandono os pontos, os fins.

 

Sutra do abandono.

 

Eu abandono tudo aquilo que não cante

Eu abandono as coisas fáceis, as coisas tristes

Eu abandono os livros que não entendo, as coisas que não me fazem rir

Eu abandono tudo que contenha marca, lote ou numero de série

Tudo que se compre por um real e que encha meus pulmões de febre, eu abandono as coisas que precisam de sentido para viver

Eu abandono a diagramação da página.

 

descrataquizado por oddie às 23:34
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

a situação do velho que olhava os carros

Possuía feições grosseiras. Completava com a barba cerrada, mal-feita. O jeans rasgado e sujo ajudava na aparência desleixada. Camisetas repetidas causavam a estranha sensação de deja-vu nos seus poucos companheiros de rua.

Físico parco refletia junto aos olhos escuros todo vazio e a dor de vinte três anos perdidos. Há quem acredite que ele nunca amou - apesar de ter sido esse suposto amor o responsável pela sua reclusão.

 

Encontrou a infeliz na cama com outro, Artigo 121, Homicídio.

- Tá, aí você matou o cara, né ? – perguntei.

- Matei ela, claro.Esganei a safada até ela morrer. – concluiu.

Na delegacia estourou os outros B.O. : 155, 157 e 157, parágrafo 3.º, segunda parte, Latrocínio, roubo seguido de morte. Vinte e três anos de prisão. Vinte e três anos de prisão, cumpridos a risca, por um sistema penitenciário que tende a engolir pelo o esquecimento os pobres, os pretos. Vinte três anos é tempo suficiente para perder os pais, a família, e a vida. Vinte e três anos é o número que marca rugas, um garoto de vinte anos cheio de rugas, perdido no tempo, na rua. Talvez ele mereça.

Ele acredita que não.

- Vinte três anos... Que situação... Que situação... – dizia, fitando o horizonte.

descrataquizado por oddie às 15:33
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Onde Vivem os Monstros

 

Dedicado ao meu grande amigo Saint Cir, que agarrou a morte pelos chifres, e aplicou um mata leão na safada.Um cara que enfrentou os seus monstros.

 

Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta

Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto


Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela

[A Bela e a Fera, Chico Buarque]

 

sinto-me:
descrataquizado por oddie às 19:19
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