Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Histórias sobre os Excluídos, parte 3 :O discípulo embriagado

Um mestre zen tinha centenas de discípulos. Todos rezavam na hora certa - exceto um, que vivia bêbado.

O mestre foi envelhecendo. Alguns dos alunos mais virtuosos começaram a discutir quem seria o novo líder do grupo, aquele que receberia os importantes segredos da tradição.

Na véspera de sua morte, porém, o mestre chamou o discípulo bêbado e lhe transmitiu os segredos ocultos.

Uma verdadeira revolta tomou conta dos outros :

- Que vergonha ! - gritavam. - Nos sacrificamos por um mestre errado, que não sabe ver nossas qualidades.

Escutando a confusão do lado de fora, o mestre agonizante comentou:

- Eu precisava passar estes segredos para um homem que eu conhecesse bem. Todos meus alunos eram muito virtuosos, mas mostravam apenas suas qualidades. Isso é perigoso; a virtude muitas vezes esconde a vaidade, o orgulho, a intolerância. Por isso escolhi o único discípulo que eu conhecia realmente bem, já que podia ver seu defeito : a bebedeira.

descrataquizado por oddie às 23:53
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Sábado, 6 de Junho de 2009

Tristeza, eu te amo.

 

Palavras são navalhas. Adeus é uma mera formalidade, o que está esgotado, já se esgotou há muito tempo. Não é preciso gastar muitos neurônios nem energia pra sacar que tudo isso é muito triste, tristeza, eu te amo, mas isso tudo já se esgotou há muito tempo.

O menino que eu conheci no parque hoje estava meditando, cara, e ele estava só de cuecas. Ele disse que treinava kung-fu em outro parque, um que ficava descendo a avenida. Sentei em posição de lótus e comecei a meditar também. Estava um frio danado, e quase devaguei imaginando como ele conseguia estar ali, só de cuecas. Meia hora depois, ouvi ele se levando e botando as roupas, e resolvi cair fora. Antes de vazar, perguntei a ele quando ele voltaria para ali, para que pudéssemos trocar ideias.

Aí a coisa ficou bizarra, pois o moleque, pouco mais de 11 anos, me olhou e disse que percebia uma tristeza estranha em minha voz. Disse então que havia acontecido uma coisa chata no dia anterior, e, após ele insistir, contei que havia discutido com uma pessoa que eu gostava muito. Disse que ela era uma aranha, daquelas bem peludas, e que me dava medo de pensar nela. Ele me disse que mulher é uma merda mesmo, e achei estranho ouvir isso de uma criança. A TV anda fazendo maravilhas com a geração de hoje.

Sabe, as coisas ficaram metafisicas demais para o gosto dele, e ele decidiu que não ia mais aparecer por ali mesmo, estava indo morar com sua mãe não sei pra onde. Deixou apenas essa frase, “palavras são navalhas”, que pra mim é trecho de uma musica do Belchior. E eu nem gosto de Belchior.

 

 

descrataquizado por oddie às 21:58
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia & do Delírio

Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano. Por isso em nome da saúde mental das novas gerações eu reivindico o seguinte:

1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.

2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os garotos (as) da Febem, únicos capazes de transformar a violência & angústia de suas almas em música das esferas.

3 - Saunas para o povo.

4 - Construção urgente de mictórios públicos (existem pouquíssimos, o que prova que nossos políticos nunca andam a Pé ) & espelhos.

5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o Totem da nacionalidade. Organizar grupos de Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver as onças que vivem trançadas em zoológicos às florestas. Abertura de inscrições para voluntários que queiram se comunicar telepaticamente com as onças para sabermos de suas reais dificuldades. Desta maneira as onças poderiam passar uma temporada de 2 semanas entre os homens & nesse período poderiam servir de guias & professores na orientação das crianças cegas.

6 - Criação de uma política eficiente & com grande informação ao público em relação aos Discos-Voadores. Formação de grupos de contato & troca de informação. Facilitar relações eróticas entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.

7 - Nova orientação dos neurônios através da Gastronomia Combinada & da Respiração.

8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os) explicando por que o coito anal derruba o Kapital

9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.

         10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica & do Pornosamba. O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral para que elas NÃO pensem eroticamente, libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a vida tanto melhor ".      Roberto Piva

 

 

 

descrataquizado por oddie às 00:55
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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

O Novo Borboletário

 

Andam dizendo que estou escrevendo coisas incoerentes. Coisas que não condizem com a verdade, com a minha situação ilusória de bem-estar e satisfação com as coisas certas. Andam dizendo, com isso, que sou um hipócrita. Que minha vida regrada não condiz com a postura pornográfica e libertária desse sítio. Que meu passado marcou feito ácido minha pele parda, e desde então, nunca mais fui o mesmo. Minha religião nova me impede de mergulhar nas coisas improprias, nas coisas juvenis e nas coisas indecentes que o lado feio da minha vida oferece.
Dizem que essa moderação gerou um estranho anseio pela maldade, me obrigando a escrever nessas linhas invisíveis coisas que gostaria de ter feito, de ter dito, de ter vivido. Ora, pobres daqueles que acreditam apenas no que veem ( sem enxergar, nunca ). 

Pois a maior sacada do diabo é ocultar a sua existência, entre as coisas humanas, entre as coisas santas. Os demonios são mais espertos do que se imagina.

Andam dizendo que eu ainda a amo, que essa moderação toda surge daí. Deveras fosse verdade ! Pois talvez eu sentiria mais do que essa tremedeira ao ouvir sua voz, no telefone, escondido, gaguejasse ao ouvi-la falar e respirasse como boi em matadouro. Talvez se a amasse, a deixasse partir. Aí então, nunca mais. Aí então, feliz.

 

 

música: Borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar...
descrataquizado por oddie às 14:27
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Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Sutra de Mbaraka-Mirim

Sou tudo aquilo que escorre pelo umbigo para dizer que talvez você esteja pensando lesmas.
Ideal mesmo é viver-sonhar alegrias, ou, ao menos, não morrer antes de ter atendido
o eterno chamado dos sapos.

 

Não existe modo melhor de usar o espaço ?

 

São índios, lesmas e sapos.

Índio universo, lesmas universo, sapos universo, e pontos, muitos pontos, pontos finais, pontos de i, j, pontos de táxi, pontos de luz, ôninus, drogas, trocas, pontos servem para demarcar e mostrar que tudo tem um fim, eu abandono os pontos, os fins.

 

Sutra do abandono.

 

Eu abandono tudo aquilo que não cante

Eu abandono as coisas fáceis, as coisas tristes

Eu abandono os livros que não entendo, as coisas que não me fazem rir

Eu abandono tudo que contenha marca, lote ou numero de série

Tudo que se compre por um real e que encha meus pulmões de febre, eu abandono as coisas que precisam de sentido para viver

Eu abandono a diagramação da página.

 

descrataquizado por oddie às 23:34
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Deus, Capiau e o banheiro entupido.

limpar a merda alheia e se sentir bem com isso

 

Se fosse necessário resumir um grande ensinamento, de um grande bodisatva, eu diria ame o seu próximo. Quem consegue oferecer sua outra face à tapa?

Acredito que grande parte dos que se dizem cristãos não conseguem entender que todo o resto não importa muito, pois essas palavras são a verdadeira essência de Cristo. Jesus veio e foi crucificado por pregar que Deus é amor, e vivo discutindo com meus amigos sobre esse tema. Ora, assistimos a um mundo que sempre escreveu sua história com sangue, nunca foi diferente e às vezes peco ao imaginar que nunca será.

Ontem, discuti com meus pais. Eles estavam ensinando a minha prima de três anos a revidar quando a vizinha, também na faixa dos três anos, batesse nela. Percebi que desde pequenos, somos ensinados a odiar nosso próximo, pagando sempre na mesma moeda (e com um trocado a mais) o mal que nos é imposto.

Pouco depois de lhes dizer isso, fui para o meu quarto passar um tempo com a namorada, quando minha mãe inventou de lavar meu banheiro. O banheiro estava todo cagado e entupido, e o ultimo a usar foi um rapaz que mora lá em casa, o Capiau.

Ela, como sempre, colocou a culpa em mim, que frustrado pela merda alheia, senti uma ânsia e raiva infinita da cara de pau do intruso, continuando a negar que a merda não era dele. Eu conheço minha merda, desde a sua cor á sua forma, e aquela definitivamente não era minha.

Minha mãe, sempre com muito mais compaixão com os hospedes do que com o próprio filho, deixou para lá e resolveu desentupir a privada. Eu não permitiria que ela fizesse aquele esforço por causa de um retardado, então, resolvi desentupir, mesmo xingando e dizendo que ele nunca mais usaria meu banheiro.

Depois de dar a ultima descarga, percebi o quanto era hipócrita. Prego a Deus e o mundo contra esses cristãos de araque que não conseguem entender meia palavra do que seus profetas dizem, sem um ladrão na frente deles para dizer-lhes em que acreditar. E eu não consigo seguir minhas próprias convicções, esqueço da gentileza dos sábios, da complacência de limpar a merda alheia e se sentir bem com isso.

Jesus e Buda dizem a mesma coisa e ninguém consegue ouvir. Se alguém conseguir seguir um terço do que pregam, descobriria o verdadeiro significado da vida.Eu ainda estou tentando.

 

sinto-me:
descrataquizado por oddie às 11:59
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