Domingo, 5 de Julho de 2009

scarlett

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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

uso correto da camisinha

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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Saí de Tua Alcova

Sendo Noel um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de taxi, que às vezes levavam ele pra casa, às vezes emendavam uma outra farra, ou às vezes levavam ele pra namorar alguma moça no juá. E o Noel foi percebendo aos poucos que havia um motorista de taxi chamado “Malhado”, e o Malhado era cantor de seresta, era metido a dar o famoso “dó de peito”, e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas, que ele não entendia absolutamente o  que significava. E o Noel aos poucos foi percebendo o estilo do Malhado, e compôs uma canção especialmente pra ele, ensinou, e combinou com ele pra lançar a música numa seresta pra duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegando lá em baixo do sobrado do coronel, o Noel disse que ia ficar do outro lado da rua pra dar o destaque que a voz do Malhado merecia. Feriu o tom... lá se foi o Malhado

 

“Saí da tua alcova com o prepúcio dolorido

Deixando seu clitóris gotejante

De volúpia emurchecida

Porém, os gonococos da paixão  

Aumentou minha tensão”

 

Bem, o coronel levantou atirando, o Malhado saiu correndo, chegou na esquina livre e o Noel já estava esperando ele e perguntou:

 

- O que é que houve Malhado?

 

E o Malhado assustadíssimo falou:

 

- O cara sai atirando, não entendi nada!

 

E o Noel sem perder a pose diz pra ele:

 

- Isso é pra você ver, Malhado, o que é a falta de sensibilidade dessa gente!

 

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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

CHAOS – The Rock Video!

pintos cor-de-rosa – Alice viajando no pó...

 

"Os Estados Unidos oferecem liberdade de expressão porque todas as palavras são consideradas igualmente insípidas. Apenas as imagens contam – os censores amam cenas de morte e mutilação, mas horrorizam-se diante de uma criança se masturbando – para eles, aparentemente, isso é uma invasão de seu fundamento existencial, sua identificação com o Império e seus gestos mais sutis.

 

Sem dúvida, nem mesmo o pornô mais poético faria o cadáver sem rosto reviver, dançar e cantar (como o pássaro do Caos chinês) – mas... imagine o roteiro de um filme de três minutos ambientados numa ilha mítica povoada por crianças fugitivas que moram nas ruínas de antigos castelos ou em cabanas-totens e ninhos construídos com detritos – uma mistura de animação, efeitos especiais, computação gráfica e vídeo – editado de forma compacta, como um comercial de fast-food...

 

... mas insólito e nu, penas e ossos, tendas abotoadas com cristais, cachorros negros, sangue de pombos – vislumbres de membros cor de âmbar enrolados em lençóis – rostos, cobertos por máscaras cheias de estrelas, beijando dobras macias de pele – piratas andróginos, faces abandonadas de colombinas dormindo em altas flores brancas – piadas sujas de se mijar de tanto rir, lagartos de estimação lambendo leite derramado – pessoas nuas dançando break – banheiras vitorianas com patos de borracha e pintos cor-de-rosa – Alice viajando no pó...

 

... punk reggae atonal para gamelão, sintetizadores, saxofones e baterias – boogies elétricos cantados por um etéreo coro de crianças – antológicas canções anarquistas, um misto de Hafez & Pancho Villa, Li Po & Bakunin, Kabir & Tzara – chame-o de "CHAOS – The Rock Video!"

 

Trecho de "Pornografia", de Hakim Bey

 

descrataquizado por oddie às 13:34
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Deus, Capiau e o banheiro entupido.

limpar a merda alheia e se sentir bem com isso

 

Se fosse necessário resumir um grande ensinamento, de um grande bodisatva, eu diria ame o seu próximo. Quem consegue oferecer sua outra face à tapa?

Acredito que grande parte dos que se dizem cristãos não conseguem entender que todo o resto não importa muito, pois essas palavras são a verdadeira essência de Cristo. Jesus veio e foi crucificado por pregar que Deus é amor, e vivo discutindo com meus amigos sobre esse tema. Ora, assistimos a um mundo que sempre escreveu sua história com sangue, nunca foi diferente e às vezes peco ao imaginar que nunca será.

Ontem, discuti com meus pais. Eles estavam ensinando a minha prima de três anos a revidar quando a vizinha, também na faixa dos três anos, batesse nela. Percebi que desde pequenos, somos ensinados a odiar nosso próximo, pagando sempre na mesma moeda (e com um trocado a mais) o mal que nos é imposto.

Pouco depois de lhes dizer isso, fui para o meu quarto passar um tempo com a namorada, quando minha mãe inventou de lavar meu banheiro. O banheiro estava todo cagado e entupido, e o ultimo a usar foi um rapaz que mora lá em casa, o Capiau.

Ela, como sempre, colocou a culpa em mim, que frustrado pela merda alheia, senti uma ânsia e raiva infinita da cara de pau do intruso, continuando a negar que a merda não era dele. Eu conheço minha merda, desde a sua cor á sua forma, e aquela definitivamente não era minha.

Minha mãe, sempre com muito mais compaixão com os hospedes do que com o próprio filho, deixou para lá e resolveu desentupir a privada. Eu não permitiria que ela fizesse aquele esforço por causa de um retardado, então, resolvi desentupir, mesmo xingando e dizendo que ele nunca mais usaria meu banheiro.

Depois de dar a ultima descarga, percebi o quanto era hipócrita. Prego a Deus e o mundo contra esses cristãos de araque que não conseguem entender meia palavra do que seus profetas dizem, sem um ladrão na frente deles para dizer-lhes em que acreditar. E eu não consigo seguir minhas próprias convicções, esqueço da gentileza dos sábios, da complacência de limpar a merda alheia e se sentir bem com isso.

Jesus e Buda dizem a mesma coisa e ninguém consegue ouvir. Se alguém conseguir seguir um terço do que pregam, descobriria o verdadeiro significado da vida.Eu ainda estou tentando.

 

sinto-me:
descrataquizado por oddie às 11:59
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

24-12

descrataquizado por oddie às 16:14
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Carne fresca

"A pior coisa do suicídio é não morrer."

 

Certo dia, uma cadela no cio fugia desesperadamente de um bando de cachorros sarnentos que queriam a todo custo penetrá-la e cumprir seu papel na natureza. Assustada, a coitada se enfiou embaixo de um ônibus estacionado, em vão, pois todos os outros cães, cerca de uns 9 ou 10, a seguiriam até ao inferno se fosse preciso. E foi o que fizeram. Não ligaram quando o motorista distraído decidiu dar a partida no ônibus, dando início ao que seria o maior massacre canino que essa cidade já viu desde os tempos da carrocinha. Carne fresca.
O Dean diz que isso se chama Deus. Um menino atira pedras nos carros que passam na rodovia. Uma hora, a pedra atingirá o alvo, quebrará o pára-brisa, e causará algum acidente mortal. Simples assim. A morte na mão de um simples menino que atira pedras. Sem nenhum pecado nem pavor.
Essa noite eu me deprimi profundamente, e precisei sair para exorcizar meus demônios. E o fiz, com uma bela garrafinha de Corote.
Tudo o que eu precisava era pensar, mas foi a ultima coisa que aconteceu, pois caminhando pela madrugada, fiquei atento ao que ela oferece não sobrando tempo de me distrair e encontrar a resposta que procurava. Ao invés disso, encontrei mais pânico, vertigem, obsessão.
Voltei pior do que estava. Deitei na cama de tênis e tudo, pensando seriamente em suicídio. A pior coisa do suicídio é não morrer. Então, calculei quantos metros são necessários para ter certeza que será o seu fim.
Aqui existe uma ponte que passa por cima do Castelo Branco.
Peguei um pedaço papel e escrevi minha despedida e meus motivos e deixei em cima do meu travesseiro - talvez um dia eu a poste aqui -, e sai na madrugada, feito um cavaleiro marginal selando seu destino na própria carne. Carne fresca. Menos de dez minutos, me encontrava na tal ponte, olhando os carros bêbados de gente que curtia o carnaval, e pensei "o maior gesto de insubordinação que existe, é não existir." e me preparei para pular, quando uma mão me puxou pelos ombros, me jogando no chão e estragando todo o romantismo do meu ato (pois eu achei essa frase, última da minha vida, perfeita).
Era um senhor moreno, de cabelos grisalhos. Vestia um terno marrom que não combinava com a gravata azul meio roxo. Perguntou-me se eu estava bem, e eu comecei a chorar, abraçando-o forte.Então ele me disse : Menino...tudo sofre no mundo, porém Nele, tudo espera e tudo suporta...
Aquilo gelou o meu corpo, e nesse momento comecei a parar de chorar. Olhei para os olhos castanhos do velho, e um meio-sorriso se formou em seu rosto mulato. E ele continuou: ...não seja carne fresca para aqueles que desejam o seu fim.
O tempo parou.
Ajudou-me a levantar e caminhou comigo pela ponte, até uma praça que existe perto dali. Colocou-me no banco, e saiu caminhando calmamente pela noite, até sumir pelas ruas estreitas e mal iluminadas. Fiquei algum minuto ali sentado, olhando as árvores, perguntando á elas o que havia acontecido, e que merda de motivo afinal de contas era aquele, para eu ter estado tão deprimido a ponto de ter tentado me matar. Já não estava sentindo raiva nem rancor, nem tristeza, nem angustia... Só vergonha.
E comecei então a me empolgar com tudo isso, com o fato de ainda estar vivo, com a coisa maravilhosa e incrível que havia acontecido, e com as coisas que eu ainda irei realizar. Voltei para casa, dormi e sonhei como nunca em toda minha vida.

 

 

descrataquizado por oddie às 17:49
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Praga de Cigana

Eu tinha inventado de levar a Angela para ver a Estação Ciência lá na Lapa. Meu nome é Alíson.Escondo o nome pois assim Deus não me encontra quando lê minhas blasfêmias.Acho que estou enganado:

Quem é de Sampa sabe, a Lapa é um covil de ciganas. Belas, asmáticas, desdentadas. Todo tipo de ciganas está lá. E, claro, aquelas que lêem a mão por um real.

Elas vêm de manso e te agarra a mão por trás, e não larga, observando suas linhas. Você até tenta acompanhar enquanto ela solta inúmeras previsões previsíveis. Por dó, soltei um real. Quando imaginei que ela finalmente me libertaria e eu pudesse continuar o meu passeio, ela revela meu trágico fim.

- Você vai morrer.

Olhei espantado para aqueles olhos negros. Era uma senhora curvada, cheia de ouro nos anéis, brincos e nos poucos dentes, com uma roupa que parecia mais toalha de mesa ou roupa de São João. As rugas eram escuras, fundas. Juro que chegava aos ossos.

- Vai morrer, dá pra ver... Olha aqui.

Tentei procurar nas linhas, ler o meu futuro maldito.Mas era em vão: eu era um analfabeto e ela era uma tecelã do tempo. Só ela sabe o que me aguarda.

- Solta minha mão, eu paguei por isso? Charlatã! Quero que você leia minha sorte, não meu azar...

- Que pena, vai morrer jovem, de nada me serve o seu dinheiro, toma de volta.

- Ah?... Bom, já que é assim, me diga pelo menos do que eu vou morrer... Vai doer?

- Para que? Em breve você saberá...

E ela fez um sinal com os dedos, erguendo três de uma vez. Era o sinal secreto dos ciganos, que significa o mesmo que bater na madeira para nós.

As outras ciganas, mais jovens, disse que era para eu não ter medo, que ela gostava de assustar as pessoas com essas coisas. Perguntei se não tinha perigo que ela me soltasse uma praga, pois ela saiu me encarando com raiva.Porém elas me garantiram que praga de cigana só funciona depois de sete anos.

Menos mal. Tenho mais sete anos de vida.

 

descrataquizado por oddie às 16:30
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