Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

e agora um Deus dançou em mim

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descrataquizado por oddie às 19:31
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

“Hombre, cara, é o fim.”

Seus joelhos estão tão esfolados, tão profundamente feridos que só se vê um buraco com uns três centímetros de profundidade onde antes eram as rotulas por causa das quedas com a cruz de cem quilômetros de comprimento ás costas, e, quando Ele se verga com a cruz nas pedras, obrigam-no a cair de joelhos, e Ele já os tinha feridos daquela maneira no momento no que O pregaram na cruz – eu estava lá. - Ali está o grande corte em suas costelas, onde os lanceiros cravaram a ponta de suas espadas. - Eu não estava lá, se estivesse teria gritado: “Parem com isso!”, e teria sido crucificado também. - A Santa Espanha enviou aos astecas do México, que arrancavam corações em sacrifícios, uma imagem de ternura e piedade, dizendo-lhes : “Faríeis isto ao Homem ? Eu sou o Filho do Homem, nasci do Homem, sou o Homem, isto vós faríeis Mim, que sou Homem e Deus – sou Deus, e vós transpassaríeis Meus pés amarrados com longos pregos de ponta afiada levemente entortados pela força de quem os martela – faríeis isso a Mim, que preguei o amor ?”
Ele pregou o amor, e vocês o amarraram a uma árvore e o pregaram com pregos, seus tolos, vocês devem ser perdoados.
Aquele Pano Sagrado da Vitória. Que vitória, a Vitória de Cristo ! Vitória sobre a loucura, a doença da espécie humana. “Matem-no!”, rugem ainda nas lutas, rinhas de galo, touradas, lutas de boxe, brigas de rua, lutas no campo, combates aéreos, guerra de palavras - “Matem-no!” - Mate a Raposa, o Porco, e a Sífilis.


Cristo em Sua agonia, rogai por mim.
 

( trecho do livro “Viajante Solitário”, de Jack Keroauc )

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descrataquizado por oddie às 20:23
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Sábado, 15 de Agosto de 2009

Ei, me arruma um cigarro, não tenho vergonha de ser só mais um viciado.

É gelado, não frio.
O cheiro é forte, mas não é esgoto, é verde, é mato. O córrego cerca meu bairro, como uma ilha, e é nessa ilha onde você compra alegria. Prefiro o pino -  farinha, o pó.
A noite nos beijava a boca e nos convidava para sair, vadiar. Encontrei meus amigos já na beira do rio, e um deles me sorrio, jogando a real : “Não vou mentir para você, dei um tiro ali, mano, e vamos ficar loucos a noite inteira.”.Estávamos em quatro, e tive a certeza de que não ficaria lúcido por muito tempo. Nem consciente. Essa coisa de uso recreativo é uma besteira, então, cheirei com tudo, até adormecer as narinas e sentir os olhos vidrados. O coração batendo forte, furando o peito, enfim vivo.
A ideia era jogar sinuca e depois ver o que faríamos. Duas ou três fichas se foram, junto com muitos cigarros, seguidos, é fácil jogar, não importa quem ganha ou quem perde, nem quem é parceiro ou quem é rival, são todos irmãos, todos na mesma canoa.
O bar fechou, caminhamos para o centro da cidade, imaginando o que a cidade reserva para nós. Não antes de darmos o próximo tiro. Comigo a segunda nunca faz efeito, ou aparenta nunca fazer efeito, só dor de cabeça. Me afastei então enquanto os outros preparavam mais três carreiras, e observei o que acontecia ao meu redor. Estávamos em cima de uma passarela, no escuro, como marginais, como nóias ( como costumamos definir os de pior situação, sujos pelos becos, deitados em suas próprias fezes, com seringas ou cachimbos nas mãos ).Lá embaixo um casal discutia, a garota gritava e tentava correr, enquanto o garoto a segurava. A coca começou a fazer efeito, então eu me sentia um agente secreto, observava as sombras, a posição de cada nóia ao meu redor, cada vizinho que poderia me caguetar, tudo fica claro com a coca, e eu me sinto um agente secreto. Chamei meu colega depois que ele mandou a carreira dele para dentro, e perguntei se agente devia descer e ver o que estava acontecendo com o casal, se o cara estava tentando machucar a menina ou coisa parecida. Quando éramos mais moços bancávamos os bons samaritanos, e até corremos atrás de um ladrão que testemunhamos roubar a bolsa de uma mulher, só pelo orgulho de parecermos heróis. Não o alcançamos, naturalmente, e talvez eu nem desejasse isso, não sou bom com essas coisas de sair na mão, muito menos com bandido. Mas dessa vez, meu amigo se deteve a dizer que provavelmente se tratava de alguma vagabunda. Eu pensei “Foda-se.” e desci sozinho, correndo, ver o que estava acontecendo. Quando eu desci, algumas pessoas que passavam pela rua estavam parando junto ao casal também, e o garoto, segurando a menina, abraçando-a bem forte, explicava que não a conhecia, mas que ela estava correndo em direção á uma passarela que estava a uns dez metros, que corta o rio Tietê. Ela gritava que queria se matar. Ela continuava chorando e gritando que ia acabar com a vida, e tentava se chocalhar, desesperada, em direção á rua onde passava vários  carros. Me senti mal por meu colega ter julgado a situação, mas no estado que estávamos não faríamos muita coisa mesmo, provavelmente, nem notaríamos se ela pulasse. Nessa mesma semana, nessa mesma passarela, um cara acabou pulando, e havia muitas viaturas e bombeiros procurando o sujeito, ou o que havia sobrado dele. É como se todos estivessem tentando fugir dessa nossa ilha.
Por outro lado, nós abraçamos a diversão, a nossa vida, com todas as forças, como se pretendessemos estar com todos os sentidos ligados, á mil por hora, com tudo que nossos trocados podem oferecer. Voar com as asas que os urubus nos dão durante o dia. Confesso, porém, que a partir daí lembro de muita pouca coisa daquela noite, mas lembro de procurar novas passarelas, novos cantos escuros, e cheirar até o pó acabar. Talvez não seja a questão de não lembrar, provavelmente, não fizemos mais nada além disso. Terminamos a noite, no mesmo lugar, na beira do rio, a beira gélida e com cheiro verde. Resolvi ir para casa, o pó havia terminado e não tinha nada a ser feito. Os meninos tinham mais alguns reais e foram trocar por mais pinos. Me despedi, moro perto da boca, mas não gosto de ir até lá, fico com o cu na mão imaginando que os gambés vão surgir a qualquer momento, ou vai acontecer uma chacina doida a qualquer hora lá. Entrei, tranquei o quarto e acendi um baseado que estava na minha gaveta ha mais de uma semana.
Observando a sombra do abajur, imaginei dragões brancos deslizando pelas paredes.

sinto-me:
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descrataquizado por oddie às 14:52
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Domingo, 9 de Agosto de 2009

Histórias sobre os Excluídos, Paulo Coelho : Isaac é necessário.

Certo rabino era adorado por sua comunidade; todos ficavam encantados com o que ele dizia. Menos Isaac, que não perdia uma chance de contradizer as interpretações do rabino, apontar falhas em seus ensinamentos. Os outros ficavam revoltados com Isaac, mas não podiam fazer nada.

Um dia, Isaac morreu. Durante o enterro, a comunidade notou que o rabino estava profundamente triste.

 

-Por que tanta tristeza ? - comentou alguém.- Ele vivia colocando defeito no que o senhor dizia!

 

- Não lamento por meu amigo que hoje está no céu – respondeu o rabino. - Lamento por mim mesmo. Enquanto todos me reverenciavam, ele me desafiavam, e eu era obrigado a melhorar. Agora que ele se foi, tenho medo de parar de crescer.

 

 

descrataquizado por oddie às 21:17
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Histórias sobre os Excluídos, parte 2 : O mestre não sofre com os maus discípulos ?

 

Um discípulo perguntou a Firoz :

 

- A simples presença de um mestre faz com que todo tipo de curioso se aproxime, para descobrir algo do que se possa beneficiar. Isto não pode ser prejudicial e negativo ? Isto não pode desviar o mestre de seu caminho, ou fazer com que sofra porque não conseguiu ensinar o que queria ?

 

Firoz, o mestre sufi, respondeu :

 

- A visão de um abacateiro carregado de frutas desperta o apetite de todos que passam por perto. Se alguém deseja saciar sua fome além da sua capacidade, termina comendo mais abacates do que necessário, e passa mal. Entretanto, isto não causa nenhum tipo de indigestão ao dono do abacateiro. O caminho precisa estar aberto para todos, mas Deus se encarregado de colocar os limites de cada um.

 

descrataquizado por oddie às 20:19
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Histórias sobre os Excluídos, parte 3 :O discípulo embriagado

Um mestre zen tinha centenas de discípulos. Todos rezavam na hora certa - exceto um, que vivia bêbado.

O mestre foi envelhecendo. Alguns dos alunos mais virtuosos começaram a discutir quem seria o novo líder do grupo, aquele que receberia os importantes segredos da tradição.

Na véspera de sua morte, porém, o mestre chamou o discípulo bêbado e lhe transmitiu os segredos ocultos.

Uma verdadeira revolta tomou conta dos outros :

- Que vergonha ! - gritavam. - Nos sacrificamos por um mestre errado, que não sabe ver nossas qualidades.

Escutando a confusão do lado de fora, o mestre agonizante comentou:

- Eu precisava passar estes segredos para um homem que eu conhecesse bem. Todos meus alunos eram muito virtuosos, mas mostravam apenas suas qualidades. Isso é perigoso; a virtude muitas vezes esconde a vaidade, o orgulho, a intolerância. Por isso escolhi o único discípulo que eu conhecia realmente bem, já que podia ver seu defeito : a bebedeira.

descrataquizado por oddie às 23:53
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Transforme a vida em um show existencial, em uma aventura indecifrável.

Passo os primeiros anos de minha vida adulta procurando pelo não sei o que.

Tempo, tenho muito medo.



Se a vida fosse menos ingrata, o tempo seria menos maldoso quando estamos nos divertindo.



Condenados somos nós, pobres bipedes falantes, fardados a caminhar ás cegas pelo túnel, com a luz de uma vela ao longe, aos poucos, se apagando.



O escapismo desleal da felicidade, és tu, minha doce Galatéia.



Minha linda, Galatéia.



súbito ataque de carinho.



Pois te confesso que paixão não existe, paixão agente inventa e segue assim,

 

assistindo a todos os televisores ligados.

 

Big Brother is watching you.

descrataquizado por oddie às 23:18
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