Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Deus, Capiau e o banheiro entupido.

limpar a merda alheia e se sentir bem com isso

 

Se fosse necessário resumir um grande ensinamento, de um grande bodisatva, eu diria ame o seu próximo. Quem consegue oferecer sua outra face à tapa?

Acredito que grande parte dos que se dizem cristãos não conseguem entender que todo o resto não importa muito, pois essas palavras são a verdadeira essência de Cristo. Jesus veio e foi crucificado por pregar que Deus é amor, e vivo discutindo com meus amigos sobre esse tema. Ora, assistimos a um mundo que sempre escreveu sua história com sangue, nunca foi diferente e às vezes peco ao imaginar que nunca será.

Ontem, discuti com meus pais. Eles estavam ensinando a minha prima de três anos a revidar quando a vizinha, também na faixa dos três anos, batesse nela. Percebi que desde pequenos, somos ensinados a odiar nosso próximo, pagando sempre na mesma moeda (e com um trocado a mais) o mal que nos é imposto.

Pouco depois de lhes dizer isso, fui para o meu quarto passar um tempo com a namorada, quando minha mãe inventou de lavar meu banheiro. O banheiro estava todo cagado e entupido, e o ultimo a usar foi um rapaz que mora lá em casa, o Capiau.

Ela, como sempre, colocou a culpa em mim, que frustrado pela merda alheia, senti uma ânsia e raiva infinita da cara de pau do intruso, continuando a negar que a merda não era dele. Eu conheço minha merda, desde a sua cor á sua forma, e aquela definitivamente não era minha.

Minha mãe, sempre com muito mais compaixão com os hospedes do que com o próprio filho, deixou para lá e resolveu desentupir a privada. Eu não permitiria que ela fizesse aquele esforço por causa de um retardado, então, resolvi desentupir, mesmo xingando e dizendo que ele nunca mais usaria meu banheiro.

Depois de dar a ultima descarga, percebi o quanto era hipócrita. Prego a Deus e o mundo contra esses cristãos de araque que não conseguem entender meia palavra do que seus profetas dizem, sem um ladrão na frente deles para dizer-lhes em que acreditar. E eu não consigo seguir minhas próprias convicções, esqueço da gentileza dos sábios, da complacência de limpar a merda alheia e se sentir bem com isso.

Jesus e Buda dizem a mesma coisa e ninguém consegue ouvir. Se alguém conseguir seguir um terço do que pregam, descobriria o verdadeiro significado da vida.Eu ainda estou tentando.

 

sinto-me:
descrataquizado por oddie às 11:59
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8 comentários:
De eric a 5 de Janeiro de 2009 às 15:03
manO.o


q porra é isso de Bo.Osta do intruso!

coloca uma Co.Oisa mais educativa ai!

ficou bom!!!

a melhor parte quando vc limpa a merda do cara q cago no seu baheiro!ahdahdadhadhadhafdhsadfhadahdads


xD~
De Maria a 5 de Janeiro de 2009 às 15:24
O texto dá para pensar em muita merda, mas não deixa de ser bonito aquilo que voçê fez para a sua mãe...
De Rozangela Melo a 5 de Janeiro de 2009 às 16:22
Que interessante, gostei mesmo!!
De Fermata a 5 de Janeiro de 2009 às 17:41
Adorei o texto. Uma maneira exótica de se escrever bem.
;D
De Angeee a 6 de Janeiro de 2009 às 01:26
Este texto, muito além de nos fazer refletir sobre ações q tomamos em toda nossa vida para alto afirmação em uma sociedade q admira o hediondo nas tardes em casa. E assim deste modo se afastando dos princípios que dão à prosperidade a vida exemplo; a humildade de se reconhecer o próprio erro, cidadania, respeito; q começa nos direitos alheios estes q findam qndo os meus se iniciam. Coisas q atrapalham nossa vida, acabando com td clima de um dia em família. E q particularmente tiro desse texto uma explicação sobre a raiva q estava implícita em outro momento de nossas vidas daquele dia.
Amei o q escreveu! e como vc mesmo havia me dito e q assim o vejo tomando do próprio remédio:
Do lixo também nascem flores.
De ingrid a 6 de Janeiro de 2009 às 15:58
Eu sinceramente acredito que fazer o bem vai mais além do que baixar a cabeça. Enquanto você se resignava a limpar a merda dele, ele se tornava uma pessoa mais manipuladora e egoísta.
Então, comprar a brigar e deixá-lo limpar, seria algo ainda melhor.
De oddie a 6 de Janeiro de 2009 às 18:43
eu compartilho a idologia das religioes orientais, a pregação da generozidade e da não violencia, sem esperar nada em troca, como os antigos ensinamentos zen....é sobre isso que o texto fala, sobre dar a outra face ao tapa, acredito que criar atrito não leva a lugar nenhum.
De Fermata a 7 de Janeiro de 2009 às 16:30
Dei uma olhada geral no seu blog e achei muita coisa boa!
Acompanharei seus textos ;D

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